Publicado entre 1865 e 1869, Guerra e Paz é mundialmente aclamado como um dos maiores romances jamais escritos. Trata de um imenso e detalhado painel da sociedade russa durante o tumultuado período das guerras napoleônicas, de 1805 (ano da vitória de Napoleão na batalha de Austerlitz) a 1812 (quando ocorrerram a célebre retirada dos franceses durante o inverno e o incêndio de Moscou). Como fio condutor, temos a vida, as misérias e os amores de duas grandes famílias aristocratas. Uma multidão de personagens retrata as diversas camadas do mundo russo, dos camponeses ao tsar, e os protagonistas parecem ter vida própria, tão admirável é a capacidade de Tolstói (1828-1910) de representar pessoas psicologicamente complexas e profundas. Por sua ambição e pelas técnicas utilizadas, Guerra e Paz desafiou os parâmetros literários e a própria literatura do seu tempo.
Publicado entre 1865 e 1869, Guerra e Paz é mundialmente aclamado como um dos maiores romances jamais escritos. Trata de um imenso e detalhado painel da sociedade russa durante o tumultuado período das guerras napoleônicas, de 1805 (ano da vitória de Napoleão na batalha de Austerlitz) a 1812 (quando ocorrerram a célebre retirada dos franceses durante o inverno e o incêndio de Moscou). Como fio condutor, temos a vida, as misérias e os amores de duas grandes famílias aristocratas. Uma multidão de personagens retrata as diversas camadas do mundo russo, dos camponeses ao tsar, e os protagonistas parecem ter vida própria, tão admirável é a capacidade de Tolstói (1828-1910) de representar pessoas psicologicamente complexas e profundas. Por sua ambição e pelas técnicas utilizadas, Guerra e Paz desafiou os parâmetros literários e a própria literatura do seu tempo.
Aos 82 anos, cada vez mais atormentado pelas contradições entre sua conduta moral e a riqueza material da sua família, e também devido aos constantes atritos com a esposa – que se opunha a desfazer-se de suas posses – Tolstói, acompanhado pelo seu médico e pela sua filha caçula, foi embora de casa no meio da noite. Três dias mais tarde, seu estado de saúde se agravou em decorrência de uma pneumonia. Morreu no dia 20 de novembro de 1910, em uma estação ferroviária.
Lev Nikolayevich Tolstoi, mais conhecido em português como Leon, Leo ou Liev Tolstoi (1828—1910) foi um escritor russo.
Além de sua fama como escritor, Tolstoi ficou famoso por tornar-se, na velhice, um pacifista, cujos textos e ideias contrastavam com as igrejas e governos, pregando uma vida simples e em proximidade à natureza.
Junto a Dostoiévski, Turgueniev, Gorki e Tchecov, Tolstoi foi um dos grandes mestres da literatura russa do século XIX. Suas obras mais famosas são Guerra e Paz, sobre as campanhas de Napoleão na Rússia, e Anna Karenina, onde denuncia o ambiente hipócrita da época e realiza um dos retratos femininos mais profundos e sugestivos da Literatura.
Morreu aos 82 anos, de pneumonia, durante uma fuga de sua casa, buscando viver uma vida simples.
4. Não era todo escrito em russo
Na Rússia Imperial, o francês tinha-se tornado a língua preferida da aristocracia, que tinha adotado costumes europeus depois das reformas introduzidas por Pedro o Grande e Catarina a Grande. Depois da Revolução Francesa, porém, a língua e a cultura francesas começaram a tornar-se menos «na moda» na Rússia. Em Guerra e Paz, Tolstoi tende a mostrar personagens a falar francês quando pretende indicar a sua falta de contacto com os autênticos valores da Rússia. Muitos leitores na altura desgostaram dos diálogos em francês, e estes foram traduzidos para russo na terceira edição do romance em 1873. No entanto, na quinta edição de 1886, editada por Sofia, as passagens em francês mantiveram se.
5. Natacha foi inspirada na cunhada de Tolstoi
Tatyana Behrs, a irmã mais nova de Sofia, mulher de Tolstoi, era uma visita frequente à casa dos Tolstoi em Yasnaya Polyana. Sofia teve alguma dificuldade em adaptar-se à vida isolada e algo austera do campo, e a presença de Tatyana trazia uma injeção de alegria, vivacidade e risos femininos, que era muito bem-vinda. Tolstoi tinha uma grande afeição pela pequena Tatyana. A sua vivacidade e espontaneidade ofereceram a inspiração à personagem Natacha Rostov. Muitos episódios do romance, como a jovem Natacha pedir a Boris que lhe beije a boneca, ou o desespero depois de ela ser abandonada por Anatole, foram retirados de incidentes que de facto aconteceram na vida de Tatyana.
6. Guerra e Paz é contra a pena de morte
Em 1857, Tolstoi testemunhou um guilhotinamento em Paris. O acontecimento marcou-o profundamente e convenceu-o do erro moral que é a pena de morte. Esta sua visão fortaleceu-se quando, anos mais tarde, lhe foi pedido (enquanto proprietário com responsabilidade governativa local) que defendesse um soldado ante uma pena de morte num tribunal de guerra, e ele perdeu o caso. Tolstoi expressa os seus sentimentos através da personagem de Pierre Bezukhov, que nota com horror a ansiedade dos soldados franceses chamados à execução de prisioneiros de guerra russos.
7. Pierre Bezukhov significa «Pierre, O Sem Orelhas»
Muitos dos apelidos das personagens fictícias são nomes de proeminentes famílias russas da aristocracia com uma ou outra letra mudada, como Bolkonski, de Volkonsky, o nome de família da mãe de Tolstoi. Tolstoi não tencionava com isto sugerir similaridades entre as personagens fictícias e as reais, em vez disso pretendia criar um mundo que fosse familiar e autêntico para os leitores russos. Bezukhov, por outro lado, é um dos poucos apelidos inventados no romance. «Sem Orelhas» pareceu ser para Tolstoi, na altura, uma designação adequada para uma personagem confusa e que não tivesse ainda encontrado o seu lugar na sociedade aristocrata russa.
8. Tolstoi ridiculariza as fontes históricas
Tolstoi investigava o contexto histórico de Guerra e Paz com exaustão, lendo tanto os documentos históricos russos como de outros países da Europa sobre as campanhas de Napoleão. Também visitou o sítio onde decorreu a batalha de Borodino (a 115km a oeste de Moscovo). O seu objetivo nem era tanto assegurar a exatidão do local em si, mas demonstrar os erros dos dados históricos. Isto evidencia-se num episódio da segunda metade do romance quando Lavrushka, o servo de Nikolai Rostov, é temporariamente capturado pelos franceses e interrogado defronte de Napoleão. Tolstoi cita uma versão da história do historiador francês Thiers, e ironicamente oferece a sua própria versão cómica. A sua mensagem consiste no facto de a sua versão ser tão plausível e credível como a do historiador.
9. Não é só um romance...
A preocupação de Tolstoi com os problemas dos dados históricos levaram-no a divagar do enredo das personagens fictícias para capítulos em que debate o signifi cado da História como disciplina e como modela a nossa compreensão da civilização humana. A segunda parte do epílogo do romance é inteiramente devotada a esse tipo de divagação filosófica. Desde a primeira publicação até hoje, a opinião divide-se em relação ao interesse e relevância dos ensaios históricos. O romancista francês Flaubert queixava-se ao escritor russo Turgenev, «Ele repete-se! Ele põe-se com filosofias!» Assim como as passagens em francês, a receção múltipla aos ensaios históricos de Tolstoi levaram-nos a ser apagados ou mudados para um apêndice na terceira edição. No entanto, foram restaurados na quinta edição pela mulher de Tolstoi, Sofia.
10. Nem sequer é um romance...
O próprio Tolstoi acreditava que a inclusão dos seus ensaios tornava difícil uma categorização deste trabalho como um romance. Para acompanhar a publicação do texto completo do livro em 1868, ele escreveu uma nota explicativa intitulada «Algumas palavras sobre Guerra e Paz» na qual ele diz em tom jocoso «O que é Guerra e Paz? Não é um romance, muito menos um poema, e ainda menos uma crónica histórica. Guerra e Paz é aquilo que o autor desejou que fosse e conseguiu expressar na forma em que é expressa.» Nesse mesmo ensaio ele respondia ou apaziguava os leitores que se lhe dirigiam com questões e reclamações sobre as passagens em francês, as divagações nos factos históricos e a relação entre pessoas reais e personagens fictícias com nomes semelhantes.
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