Minha terra tem palmeiras, Onde canta o Sabiá;
...Nosso céu tem mais estrelas, Nossas várzeas têm mais flores,
Nossos bosques têm mais vida, Nossa vida mais amores...Maranhão, terra de Gonçalves Dias!
...Acaso feitura, Não sou de Tupá? ... Tu és, me responde, — Tu és Marabá!...
Minha terra tem palmeiras, Onde canta o Sabiá;
...Nosso céu tem mais estrelas, Nossas várzeas têm mais flores,
Nossos bosques têm mais vida, Nossa vida mais amores...Maranhão, terra de Gonçalves Dias!
...Acaso feitura, Não sou de Tupá? ... Tu és, me responde, — Tu és Marabá!...
Se algum dos guerreiros não foge a meus passos:
“Teus olhos são garços,”
Respondo anojado, mas és Marabá:
“Quero antes uns olhos bem pretos, luzentes,
“Uns olhos fulgentes,
“Bem pretos, retintos, não cor d’anajá!” (claros)
– É alvo meu rosto da alvura dos lírios,
– Da cor das areias batidas do mar;
– As aves mais brancas, as conchas mais puras
– Não têm mais alvura, não têm mais brilhar. –
Se ainda me escuta meus agros delírios:
– “És alva de lírios”,
Sorrindo responde, mas és Marabá:
“Quero antes um rosto de jambo corado,
“Um rosto crestado
“Do sol do deserto, não flor de cajá.”
– Meu colo de leve se encurva engraçado,
– Como hástea pendente do cáctus em flor;
– Mimosa, indolente, resvalo no prado, (deslize sobre o campo gramado)
– Como um soluçado suspiro de amor! –
“Eu amo a estatura flexível, ligeira,
Qual duma palmeira”,
Então me respondem; tu és Marabá:
Quero antes o colo da ema orgulhosa,
Que pisa vaidosa,
“Que as flóreas campinas governa, onde está”.
– Meus loiros cabelos em ondas se anelam,
– O oiro mais puro tem seu fulgor;
– As brisas nos bosques de os ver se enamoram,
– De os ver tão formosos como um beija-flor! –
Mas eles respondem: “Teus longos cabelos,
São loiros, são belos,
Mas são anelados; tu és Marabá:
Quero antes cabelos, bem lisos, corridos,
Cabelos compridos,
Não cor d’oiro fino, nem cor d’anajá.”
E as doces palavras que eu tinha cá dentro
A quem nas direi?
O ramo d’acácia na fronte de um homem
Jamais cingirei:
Jamais um guerreiro da minha arazóia (saia feita de penas usada por índias brasileiras)
Me deprenderá:
Eu vivo sozinha, chorando mesquinha (insignificante)
Que sou Marabá!
More by SANDERLEY